A entorse de tornozelo é uma das lesões musculoesqueléticas mais comuns, ocorrendo quando o pé vira ou torce de forma brusca, forçando os ligamentos da articulação além de sua capacidade normal de alongamento. Isso geralmente acontece durante atividades esportivas, caminhadas em terrenos irregulares ou até mesmo ao pisar em falso em um degrau. A lesão pode variar de um estiramento leve a uma ruptura completa dos ligamentos, resultando em dor imediata, inchaço, hematoma (mancha roxa) e dificuldade para colocar o peso do corpo sobre o pé afetado. O tratamento adequado é crucial não apenas para a recuperação imediata, mas também para prevenir a instabilidade crônica do tornozelo no futuro.
Protocolo P.R.I.C.E. para tratamento inicial Logo após a lesão, a aplicação do protocolo P.R.I.C.E. (Proteção, Repouso, Gelo, Compressão e Elevação) é fundamental. Isso envolve proteger o tornozelo de mais lesões (às vezes com uso de muletas), repousar, aplicar gelo por 15-20 minutos várias vezes ao dia para reduzir o inchaço, usar uma faixa compressiva e manter o pé elevado acima do nível do coração sempre que possível.
Uso de medicamentos para dor e inflamação Para controlar a dor e o processo inflamatório na fase aguda, o médico pode prescrever medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e analgésicos. O controle eficaz da dor permite um maior conforto para o paciente e facilita o início precoce da reabilitação.
Imobilização e proteção da articulação Dependendo da gravidade da entorse, pode ser necessário imobilizar o tornozelo por um curto período para permitir que os ligamentos lesionados cicatrizem. Isso pode ser feito com o uso de estabilizadores de tornozelo (botas ortopédicas ou órteses tipo “robofoot”) ou, em casos mais leves, com enfaixamentos funcionais ou tornozeleiras.
Fisioterapia para reabilitação completa A fisioterapia desempenha um papel essencial na recuperação. O tratamento inicia com técnicas para reduzir a dor e o inchaço, e evolui para exercícios de ganho de amplitude de movimento, fortalecimento dos músculos da perna e do pé, e, crucialmente, treinamento de propriocepção (equilíbrio) para restaurar a estabilidade da articulação e prevenir novas entorses.
Tratamento cirúrgico em casos raros A cirurgia para entorse de tornozelo é raramente necessária na fase aguda. Ela é geralmente reservada para casos de lesões muito graves com instabilidade grosseira, fraturas associadas ou para pacientes com instabilidade crônica do tornozelo que continuam a ter entorses de repetição e dor, mesmo após um programa completo de tratamento conservador e fisioterapia.